sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A pequena escritora que há em mim

Os livros de Maria Teresa Maia Gonzalez tiveram um papel muito importante na minha adolescência. E eu só queria que um dia fosse capaz de escrever livros como os dela. Livros com histórias com que os jovens se identificassem, que despertassem a sua atenção, que lhes dissessem que sim, ser adolescente não é fácil, mas que tudo se haveria de compor, que havia pessoas que compreendiam pois só as pessoas que compreendem é que conseguem escrever livros com aqueles.

Aos 15 anos, tentei escrever um livro. A história sobre dois melhores amigos - a Marta e o Gonçalo - que partilhavam uma árvore. A história começava precisamente com um encontro debaixo dessa árvore. A árvore em questão era uma azinheira. Uma azinheira plantada no meio de um monte alentejano. Terminei o primeiro capítulo. Ganhei coragem e mostrei-o às minhas colegas de turma. Fui elogiada. Fui encorajada a escrever rapidamente o segundo capítulo.

E foi então que uma dúvida assombrou a inocência dos meus 15 anos: existem azinheiras no Alentejo certo? Podia ter desfeito a dúvida, pesquisando no google. Podia simplesmente ter substituído a azinheira por um sobreiro ou uma oliveira. Podia simplesmente ter omitido o local onde decorria a acção. Mas não, essa dúvida provocou em mim um efeito muito mais profundo. Porque tomei consciência que para escrever um livro não basta escrever bem. Não basta ter facilidade em nos expressarmos por palavras, em utilizarmos metáforas maravilhosas para descrever coisas banais. Não basta ter criatividade e um turbilhão de ideias. Para mim, a história teria de ser real, de ser possível, de ser provável. Não poderia simplesmente inventar factos falsos e falaciosos. Factos que não poderiam acontecer num determinado local, numa determinada época, num determinado momento. O problema inicial era uma árvore, mas posteriormente poderia ser outra coisa qualquer mais importante.

Escrever um livro implica muito conhecimento e, se não tivermos o conhecimento suficiente, temos de fazer pesquisas. Porque só se consegue escrever sobre um assunto, quem conheça ou saiba o suficiente. Porque um livro não tem apenas uma função lúdica, de nos deleitar, dar prazer...um livro deve ensinar, informar e dar a conhecer.

Abandonei o projecto. Há quase 13 anos. Ele continua guardado numa disquete. Quem sabe...

3 comentários:

  1. Sim, existem azinheiras no Alentejo. Montes delas

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  2. Sim, eu depois confirmei que sim. Mas essa pequena dúvida na altura fez-me perceber que poderiam surgir muitas outras e que escrever um livro implica um empenho total e não é uma tarefa de ânimo leve! Obrigada pela sua visita! Gostei muito de ler os textos do sue blog!

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