quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Leituras de 2012 #1

O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe

Sipnose:

Esta é a história de Crisóstomo que, chegando aos quarenta anos, lida com a tristeza de não ter tido um filho. Do sonho de encontrar uma criança que o prolongue e de outros inesperados encontros, nasce uma família inventada, mas tão pura e fundamental como qualquer outra.
As histórias do Crisóstomo e do Camilo, da Isaura, do Antonino e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. As suas vidas ilustram igualmente que o amor, sendo uma pacificação com a nossa natureza, tem o poder de a transformar. Tocando em temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, o filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe.

Opinião:

Uma das resoluções que tinha para 2012 era precisamente ler mais autores portugueses e posso dizer que não podia ter feito melhor escolha para primeiro livro. O autor utiliza uma linguagem simples mas cativante, misturando frases doces e enternecedoras com outras mais fortes, rudes e até grosseiras, conferindo um sabor agridoce à obra. Muito embora não aprecie a técnica de se enxertar diálogos na própria narrativa, num meio termo entre o discurso directo e o indirecto, posso dizer que são esses mesmos diálogos que melhor caracterizam as personagens. Não falo só das personagens principais - como o discurso maduro e enternecedor do Crisóstomo - mas também das mais secundárias - caso das vizinhas da anã, com o seu tom compassivo e sempre prontas a meterem-se na vilha alheia.
Não há como não gostar de um livro que fale do amor, da paternidade e da família, tudo a que aspiramos e por que suspiramos em algum momento das nossas vidas. Mas eu arrisco ir mais longe: eu acho que, de certo modo, a solidão também se encontra retratada nesta obra. Porque acho que as personagens, cada uma à sua maneira, se sentiam sozinhas e que, após reconhecerem que "para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode" queriam apenas alguém que as aceitasse. Uma família não tem necessariamente de ser a tradicional, composta por um pai, uma mãe, os filhos, os avós, os tios e os primos. Tem apenas de ser composta por aquelas pessoas que nos compreendam e que nos aceitem tal como somos.

Recomendo vivamente esta obra. Estou em pulgas para ler as restantes obras dele!

P.S. Esta é uma mera opinião pessoal e não tem qualquer base científica!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O Lindo do Novo Acordo Ortográfico

Os livros que tenho comprado ultimamente já foram publicados de acordo com o Novo Acordo Ortográfico. Ahhhhhh...como é irritante ler coisas do género:

"Fulano, para para..."

" - Chloe, para!

Oi? Preciso sempre de uns minutos para me lembrar que agora pára, escreve-se sem acento...mas que ideia genial e com toda a lógica (ironia ao quadrado)!

Este

ano de 2012 começou bem em termos de leitura. Já vou no terceiro livro - A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafon - que foi uma prenda de Natal. Estou a gostar imenso da história (em breve, irei dissertar sobre a mesma) mas como se trata de um livro de bolso, está a custar-me um pouco a leitura. Estou a resistir à tentação de comprar a versão normal do livro, afinal foi uma prenda, mas...grrrr!!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A pequena escritora que há em mim

Os livros de Maria Teresa Maia Gonzalez tiveram um papel muito importante na minha adolescência. E eu só queria que um dia fosse capaz de escrever livros como os dela. Livros com histórias com que os jovens se identificassem, que despertassem a sua atenção, que lhes dissessem que sim, ser adolescente não é fácil, mas que tudo se haveria de compor, que havia pessoas que compreendiam pois só as pessoas que compreendem é que conseguem escrever livros com aqueles.

Aos 15 anos, tentei escrever um livro. A história sobre dois melhores amigos - a Marta e o Gonçalo - que partilhavam uma árvore. A história começava precisamente com um encontro debaixo dessa árvore. A árvore em questão era uma azinheira. Uma azinheira plantada no meio de um monte alentejano. Terminei o primeiro capítulo. Ganhei coragem e mostrei-o às minhas colegas de turma. Fui elogiada. Fui encorajada a escrever rapidamente o segundo capítulo.

E foi então que uma dúvida assombrou a inocência dos meus 15 anos: existem azinheiras no Alentejo certo? Podia ter desfeito a dúvida, pesquisando no google. Podia simplesmente ter substituído a azinheira por um sobreiro ou uma oliveira. Podia simplesmente ter omitido o local onde decorria a acção. Mas não, essa dúvida provocou em mim um efeito muito mais profundo. Porque tomei consciência que para escrever um livro não basta escrever bem. Não basta ter facilidade em nos expressarmos por palavras, em utilizarmos metáforas maravilhosas para descrever coisas banais. Não basta ter criatividade e um turbilhão de ideias. Para mim, a história teria de ser real, de ser possível, de ser provável. Não poderia simplesmente inventar factos falsos e falaciosos. Factos que não poderiam acontecer num determinado local, numa determinada época, num determinado momento. O problema inicial era uma árvore, mas posteriormente poderia ser outra coisa qualquer mais importante.

Escrever um livro implica muito conhecimento e, se não tivermos o conhecimento suficiente, temos de fazer pesquisas. Porque só se consegue escrever sobre um assunto, quem conheça ou saiba o suficiente. Porque um livro não tem apenas uma função lúdica, de nos deleitar, dar prazer...um livro deve ensinar, informar e dar a conhecer.

Abandonei o projecto. Há quase 13 anos. Ele continua guardado numa disquete. Quem sabe...

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

O Holocausto é um tema que sempre me fascinou, se é que se pode utilizar uma palavra como fascinar para descrever a coisa. Vá lá, é um tema que sempre interessou. Não sei porquê, mas quero saber sempre mais sobre o que aconteceu, o que foram capazes de fazer em concreto aos judeus e a outros que consideravam inferiores. No fundo, no fundo, tentar compreender como é essas pessoas conseguiram tratar daquela forma desumana outros seres humanos, daquela forma fria sem um pingo de emoção, como se fossem objectos, ou pior, lixo.

Por isso, acho bem e acho importante que se divulguem todos os factos relacionados com o Holocausto, os testemunhos das pessoas que sobreviveram àqueles dias negros, que foram "castigados" sem terem feito mal nenhum, mas apenas porque alguém os considerou inferiores. Para que tomemos consciência, para nos questionarmos, para nos deixarmos abalar e para que, no fim, a história não se repita.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A esta altura

Devem estar a pensar porque raio é que este blog se chama biblioteca pessoal e não houve ainda um único post sobre livros? Eu explico... o meu projecto de vida - para além de casar, ter filhos, ser bem sucedida profissionalmente e blá blá blá - é ter um dia uma biblioteca pessoal. Mas uma biblioteca digna desse nome: grande, com estantes de cima a baixo, ao longo de todas as paredes, os livros todos catalogados e inventariados e já agora, com a data da aquisição e data do término da leitura.

Mas como esse dia ainda está longe, decidi criar virtualmente uma biblioteca pessoal. Hei-de escrever sobre os meus livros (meus, enquanto objecto físico e não enquanto produto intelectual, que eu não tenho capacidade para tanto) sim, mas a seu tempo. 

Difíceis que são as apresentações!

Olá! Por aqui sou conhecida como Sarah e esta é a minha biblioteca pessoal! Um espaço para debitar as minhas teorias alucinantes e, se quiserem, podem debitar as vossas também!

Tudo o que aqui escrever são meras opiniões sobre as mais diversas coisas, não são comprovadas cientificamente, nem pretendem demonstrar nada.

E fica assim feita a apresentação!