O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe
Sipnose:
Esta é a história de Crisóstomo que, chegando aos quarenta anos, lida com a tristeza de não ter tido um filho. Do sonho de encontrar uma criança que o prolongue e de outros inesperados encontros, nasce uma família inventada, mas tão pura e fundamental como qualquer outra.
As histórias do Crisóstomo e do Camilo, da Isaura, do Antonino e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. As suas vidas ilustram igualmente que o amor, sendo uma pacificação com a nossa natureza, tem o poder de a transformar. Tocando em temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, o filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe.
Opinião:
Uma das resoluções que tinha para 2012 era precisamente ler mais autores portugueses e posso dizer que não podia ter feito melhor escolha para primeiro livro. O autor utiliza uma linguagem simples mas cativante, misturando frases doces e enternecedoras com outras mais fortes, rudes e até grosseiras, conferindo um sabor agridoce à obra. Muito embora não aprecie a técnica de se enxertar diálogos na própria narrativa, num meio termo entre o discurso directo e o indirecto, posso dizer que são esses mesmos diálogos que melhor caracterizam as personagens. Não falo só das personagens principais - como o discurso maduro e enternecedor do Crisóstomo - mas também das mais secundárias - caso das vizinhas da anã, com o seu tom compassivo e sempre prontas a meterem-se na vilha alheia.
Não há como não gostar de um livro que fale do amor, da paternidade e da família, tudo a que aspiramos e por que suspiramos em algum momento das nossas vidas. Mas eu arrisco ir mais longe: eu acho que, de certo modo, a solidão também se encontra retratada nesta obra. Porque acho que as personagens, cada uma à sua maneira, se sentiam sozinhas e que, após reconhecerem que "para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode" queriam apenas alguém que as aceitasse. Uma família não tem necessariamente de ser a tradicional, composta por um pai, uma mãe, os filhos, os avós, os tios e os primos. Tem apenas de ser composta por aquelas pessoas que nos compreendam e que nos aceitem tal como somos.
Recomendo vivamente esta obra. Estou em pulgas para ler as restantes obras dele!
P.S. Esta é uma mera opinião pessoal e não tem qualquer base científica!